Mais de 240 mil cuidadores de idosos trabalham com carteira assinada no Brasil, segundo a RAIS 2023 do Ministério do Trabalho. Mesmo assim, estima-se que 70% dos profissionais ainda atuem sem registro. Quando a família decide formalizar, a pergunta que vem logo depois é objetiva: quanto fica, no total, um cuidador CLT?
O piso salarial do cuidador CLT em 2025
O piso nacional subiu para R$ 1.518 em 2025, conforme o Decreto 12.302/2024. Para cuidadores registrados sob a CBO 5162-10, esse valor serve de base em estados sem convenção coletiva própria. Em São Paulo, a convenção dos trabalhadores domésticos fixa piso acima do nacional. Profissionais com cursos formais reconhecidos, como o do SENAC ou o Programa Melhor em Casa do Ministério da Saúde, costumam negociar entre R$ 1.700 e R$ 2.200 mensais para jornada de 44 horas semanais.
O enquadramento legal é o de empregado doméstico, regido pela Lei Complementar 150/2015. O empregador registra o vínculo pelo eSocial e paga os encargos mensalmente via DAE.
O ponto que muita família ignora: um cuidador com salário de R$ 1.800 custa entre R$ 2.400 e R$ 2.600 por mês. A diferença são os encargos que não aparecem no combinado inicial.
Encargos e benefícios que compõem o custo real
O FGTS é 8% do salário depositado em conta vinculada. O INSS patronal doméstico é mais 8% sobre a folha. Somados, esses dois itens já adicionam 16% ao custo. O 13º entra como 1/12 do salário por mês, pago em duas parcelas: até novembro e até 20 de dezembro. Férias de 30 dias vêm com adicional de um terço.
Vale-alimentação, vale-transporte e folga em feriados não são obrigatórios para domésticos, mas aparecem em contratos negociados diretamente. O vale-transporte, quando existe, desconta no máximo 6% do salário do trabalhador.
Demissão sem justa causa gera multa de 40% sobre o saldo de FGTS mais aviso prévio proporcional ao tempo de serviço. Contratos com menos de um ano costumam resultar em rescisões de R$ 1.500 a R$ 3.000. Esse risco explica por que muitas famílias buscam contratação sem vínculo empregatício, principalmente para cuidados temporários.
CLT versus autônomo: a conta comparada
Com todos os encargos anualizados, esse cuidador de R$ 1.800 custa R$ 2.520 mensais. O profissional autônomo ou via plataforma cobra pelo serviço sem gerar esse passivo. A CuidadosConecta trabalha com taxa de 6% sobre o valor repassado ao cuidador. Pela tabela de 2025, os valores mensais via plataforma ficam entre R$ 1.900 e R$ 2.800 para jornadas equivalentes à CLT. Para casos de Alzheimer ou mobilidade reduzida, o custo sobe de 20% a 40%, independentemente do regime.
CLT faz sentido para cuidado de longo prazo e tempo integral. Para jornada reduzida ou período determinado, o regime sem vínculo costuma ser mais barato e menos burocrático.
Como negociar o contrato sem surpresas
Antes de assinar a carteira, vale colocar no papel as funções exatas, horários e o que não está incluído no escopo. Cuidador que acumula tarefas domésticas leves, como preparo de refeições ou organização do quarto do idoso, tende a pedir de 15% a 20% acima do piso. Experiência documentada e carta de recomendação também pesam na negociação.
Famílias que contratam pelo SINE recebem currículo, mas sem verificação de antecedentes. Na CuidadosConecta, os perfis passam por checagem de documentos e histórico, com avaliações visíveis de contratantes anteriores.
